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A pedagogia dos dispositivos: um método para a Educação Audiovisual

A pedagogia dos dispositivos: um método para a Educação Audiovisual

A cozinheira da escola segura nas mãos uma fotografia, enquanto conta para um grupo de estudantes do 3o. ano do Ensino Fundamental sua relação com aquela imagem. A mulher é filmada por uma das crianças do grupo, com um celular, e descreve com riqueza de detalhes os elementos da foto. As crianças a escutam com ouvidos atentos e olhares admirados e, mais tarde, no cineclube, quando todas as turmas se reúnem, partilham seu trabalho e assistem às imagens de outras funcionárias da escola que também foram filmadas. Outro dia, um grupo de crianças recorta letras de revistas e jornais para formar um Abecedário Visual. A professora os auxilia na organização desse alfabeto, então propõe que as estudantes filmem por poucos segundos apenas as consoantes B-D-G-P-T e, em seguida, filmem qualquer coisa da escola que comece com alguma dessas letras. Mais tarde, a turma toda assiste às coisas filmadas e a professora constrói com elas uma relação entre as imagens, as letras, os sons e as palavras. Em outra escola, durante a pandemia, uma professora de geometria aborda o formato de vários sólidos. Como forma de consolidar a exposição oral, ela pede que os alunos fotografem objetos em sua casa de variados formatos e compartilhem no grupo do Whatsapp criado por ela. A turma sai animada e, após dez minutos, algumas dezenas de fotografias começam a circular pelo aplicativo e mobilizam um debate animado entre estudantes e professora a partir das formas, cores e traços dos objetos fotografados por cada um. 

Em comum, todas as experiências acima relatadas têm, além do fato de serem realizadas no ambiente escolar, presencial ou remotamente, um mesmo princípio organizador das práticas: o dispositivo. As estratégias de mediação formuladas pelas professoras que adotam a pedagogia do dispositivo tem raízes em referências do campo das artes e da educação e, hoje em dia, se populariza no Brasil como uma metodologia ativa que constitui um arranjo curricular de experiências e saberes escolares e comunitários voltados para a promoção de aprendizagens significativas  de forma inter e transdisciplinar.

Mas, o que é um dispositivo? Nesse post vamos apresentar esse conceito e a sua organização pedagógica, bem como os modos como a Semente se apropriou do conceito aproximando-o da noção de metodologia ativa no desenvolvimento de práticas relacionadas à BNCC e os ODS.

O dispositivo como um método de criação e mediação de aprendizagens

Ao longo do século XX, inúmeros artistas em todo o mundo problematizaram a ideia da criação artística como algo possível a apenas algumas pessoas que possuem dons, aptidões ou talentos especiais. Nesta chave tradicional, a criação parte da mente de um artista que tem uma ideia original e a expressa em materiais diversos, seja uma página em branco ou um pedaço de cobre ou argila. Problematizando tal princípio, alguns movimentos propuseram outras maneiras de pensar a criação apostando na elaboração de regras, procedimentos e métodos inventivos e, muitas vezes, irreverentes, a partir de limitadores e jogos. 

Um dos mais conhecidos exemplos remonta às vanguardas artísticas do século passado: em 1920, o poeta Tristan Tzara escreve de forma irônica o poema intitulado “Receita para fazer um poema dadaísta”. O título não aponta para o teor, tema ou conteúdo do poema, mas para as instruções dadas aos leitores sobre como fazer um poema com aquelas características. No poema, o autor sugere que a criação deve partir do recorte de palavras de um jornal, primeiramente. Em seguida, as palavras recortadas são misturadas num saco e, uma a uma, retiradas, de modo que assim seja construído o próprio poema. 

Nesse caso, o que o artista faz? Nada, alguns dirão, uma vez que é um poeta que sequer escreve. Porém, seu gesto é de outra natureza: ele cria condições para que um poema apareça, a partir da seleção de trechos de jornais escolhidos e recortados e de sua combinação aleatória, influenciada pelo acaso, que possui um papel importante na construção, já que as palavras são retiradas do saco independente da decisão do poeta. Assim, muitos poemas diferentes podem ser produzidos a partir do mesmo método. O gesto criativo, neste caso, não se refere ao que o artista inventa, mas ao método que possibilita a criação.   

No chão da escola, o modo de organização das experiências promovidas pelo dispositivo tem um grande potencial pedagógico, não apenas em práticas ligadas às artes e ao desenvolvimento da criatividade, mas na promoção de aprendizagens, independente da etapa ou contexto de formação. Isso porque o ato de ensinar e aprender tem a ver com a criação e, sobretudo, com a abertura e a participação no mundo, a relação com as coisas, pessoas e acontecimentos, e a sistematização de conhecimentos a seu respeito. 

Como indicamos nos exemplos que abrem esse artigo, as dinâmicas colaborativas promovidas pelos dispositivos com a linguagem audiovisual posicionam os estudantes como protagonistas de um processo de vinculação, investigação e criação da e com a realidade. O mundo que se abre aos estudantes através das telas e microfones dos celulares comporta a complexidade daquilo que se converte em material para fruição e reflexão na sala de aula. As imagens e os sons produzidos nas vivências dentro e fora da escola criam pontes entre o saber escolar e as diversas formas de saber, viver e sentir o mundo, inclusive as dos próprios estudantes. Aí estão as bases para a promoção de uma aprendizagem inclusiva, democrática e acessível.

Uma pedagogia do cinema e audiovisual

Em todos os campos artísticos – cinema, música, pintura, literatura, dança, teatro, etc. – os dispositivos têm sido intensamente experimentados como um método de trabalho e, simultaneamente, inspirado processos de formação em ambientes formais e não-formais de ensino. A trajetória de consolidação da Escola Semente está diretamente ligada à sistematização da pedagogia do dispositivo e em sua apropriação para a formulação de metodologias que pudessem corresponder às necessidades concretas de professoras e professores de muitas escolas paraibanas.

A invenção do método de trabalho com os dispositivos audiovisuais foi proposta pelo programa Inventar com a Diferença – cinema, educação e direitos humanos. Iniciado em 2013 pelo Laboratório Kumã, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e com contribuições de outros grupos, como o CINEAD/LECAV, da  Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto elaborou uma metodologia de trabalho para o cinema na educação a partir de procedimentos muito simples. Uma de suas características centrais é a ideia de que há uma maneira democrática de ensinar e fazer cinema e audiovisual nas escolas, mesmo sem equipamentos ou conhecimento técnico ou da linguagem prévio. O que orienta esse princípio democrático é justamente a metodologia dos dispositivos, que são descritos nos Cadernos do Inventar1, material gratuito disponibilizado às escolas, como “exercícios, jogos, desafios com o cinema, um conjunto de regras para que o estudante possa lidar com os aspectos básicos do cinema e, ao mesmo tempo, se colocar, inventar com ele”.

O material apresenta algumas dezenas de dispositivos que podem ser realizados de forma online ou offline, com ou sem equipamentos digitais, o que oferece bastante liberdade para os variados contextos e suas próprias limitações infraestruturais. A importante contribuição dos Cadernos do Inventar foi não apenas catalogar e tornar público um conjunto grande de dispositivos que vinha sendo praticado pelos autores e outras pessoas no campo da educação, mas efetivamente apostar nos dispositivos como uma pedagogia, como um modo de ensinar e fazer cinema e audiovisual. 

A sistematização dos dispositivos como uma metodologia permitiu que muitos projetos no Brasil, como a própria Semente, passassem a partilhar um outro modo de trabalhar com o cinema e audiovisual nas escolas. Entretanto, esse foi o primeiro passo. E, como o próprio material sugere, o desejo do Inventar com a Diferença2 era que essa metodologia não fosse apenas replicada, mas incorporada, adaptada, contextualizada e transformada nas diversas realidades educativas.

Uma pedagogia viva e transformadora

Após ter contato com a metodologia do Inventar, em 2014, a Semente passou a adotar os dispositivos como um método para trabalhar em parceria com as escolas e comunidades com as quais construiu seus percursos de formação. Em 2016, ainda em parceria com o projeto da UFF, foi proposta a implementação de uma Escola Experimental de Cinema na EMEIF José Albino Pimentel, do Quilombo Gurugi-Ipiranga (Conde/PB), inspirado nas escolas de cinema do CINEAD/LECAV (UFRJ)3. Nosso objetivo foi consolidar uma “escola dentro da escola” e assim fomentar o desenvolvimento de práticas educativas que contribuíssem com as necessidades das professoras e estudantes, fazendo germinar um modo próprio de articulação da linguagem audiovisual nas experiências de ensino-aprendizagem.

A partir dessa experiência, a atuação da Semente é ampliada no estado da Paraíba, por meio do Programa Rumos Itaú Cultural4, e o trabalho no Quilombo Gurugi-Ipiranga aprofunda-se com o apoio da Prefeitura de Conde. Do ponto de vista metodológico, vale a pena destacar que, em cada novo contexto educativo, o mesmo desafio se apresentava: o desenvolvimento de práticas educativas com a linguagem audiovisual que pudessem ser relevantes e contribuíssem concretamente com a comunidade escolar, respeitando as suas singularidades e criando condições para a autonomia metodológica das professoras. 

Tal desafio configurou um modo de semear, cultivar, regar e florescer nas escolas. O semear se manifesta na escuta, no diálogo e na consolidação das condições estruturais básicas, como espaço, equipamentos e repertório de filmes e livros. O cultivar se dá com os cursos de formação de professoras e professores e as oficinas com os estudantes. O regar acontece na contextualização e desenvolvimento de práticas, na medida em que a escola compreende o potencial pedagógico dos dispositivos e passa a pensar as possibilidades de mediação, a partir do seu referencial teórico-metodológico. O florescer implica, nos melhores casos, na configuração de um novo método e no fortalecimento da parceira, fazendo germinar novas sementes.

Ao mobilizar o dispositivo nas escolas enquanto um recurso didático-pedagógico poroso às singularidades, limites e necessidades de cada contexto, uma estratégia de mediação de aprendizagens que não se limita a uma disciplina, mas se relaciona com o currículo de forma transversal articulando saberes, experiências, tempos e espaços; testemunha-se uma proliferação de diversos modos de se relacionar com a linguagem audiovisual na educação. Com o tempo, novos dispositivos têm sido inventados em parceria com professoras e estudantes, ampliando as possibilidades de trabalho na perspectiva inter e transdisciplinar.

Assim como na Semente, em muitas escolas do Brasil os dispositivos passaram a ser reinventados de inúmeras maneiras, a partir da ideia de que a criação com as imagens e sons pode instaurar formas de engajar os estudantes em experiências coletivas e estimulantes.

A pedagogia do dispositivo: uma metodologia ativa?

Com a crise na Educação instalada pela pandemia, o debate sobre as possibilidades metodológicas foi reaquecido e intensificado. Nesse cenário, muito se tem discutido em torno das metodologias ativas, que podem ser sucintamente descritas como abordagens pedagógicas que centralizam o estudante no processo de ensino-aprendizagem. Desse modo, um aprendizado ativo é aquele que engaja os estudantes, individual ou coletivamente, em atividades e ações variadas, dentre as quais se encontra o ensino híbrido.

Embora a pedagogia do dispositivo não tenha sido inicialmente construída, de modo formal, como uma metodologia ativa, entendemos atualmente que é possível aproximá-la dessa abordagem, principalmente pelo fato de ser uma pedagogia que mobiliza o pensar, o fazer e o agir no mundo, articulado às formas do bem-viver e ao cuidado de si e do outro. Ainda mais, se nas metodologias ativas o estudante é o centro do processo, com a pedagogia do dispositivo percebemos que a centralidade é a comunicação entre educandos, educadoras e o mundo. Quer dizer, não apenas os educandos são mobilizados pelas práticas, mas as próprias educadoras, implicando ambos no processo vivo que é ensinar e aprender mediados pelo mundo.  Assim, o processo de ensino-aprendizagem se consolida como um círculo produtivo de trocas constantes que vitalizam o dia a dia da escola.  

É evidente que tal perspectiva metodológica desafia as professoras e professores, que se veem muitas vezes diante das limitações pessoais e são desafiadas pelos dispositivos a superá-las por meio da construção coletiva do saber com o grupo, atravessando as dificuldades de ordem técnica ou mesmo metodológica. Sem desconsiderar tais problemas, reconhecemos que a linguagem audiovisual já ocupa um lugar central nos processos de sociabilidade contemporâneo, de tal modo que, na pandemia, ela tem sido fundamental para a manutenção dos vínculos entre estudantes e professores. Pensar a linguagem audiovisual pedagogicamente se coloca, portanto, como uma demanda dos profissionais da educação do século XXI e mobilizá-la em práticas educativas é um desdobramento inevitável.

A Semente tem apostado na pedagogia do dispositivo como uma de suas bases, ao perceber suas potências pedagógicas e políticas, e a partir daí se propõe a pensar no desenvolvimento de novas metodologias articuladas à BNCC e aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU. Ao transcender o campo de ensino de cinema e audiovisual, a pedagogia do dispositivo pode se consolidar como uma contribuição metodológica fundamental para a construção de propostas de ensino-aprendizagem atentas ao chão da escola, ao território, à singularidade dos estudantes e ao autodesenvolvimento docente, atendendo amplamente às exigências impostas pelo ensino híbrido e lidando com as limitações técnicas vivenciadas pelos distintos contextos educacionais. Assim, a pedagogia dos dispositivos passa a se constituir como uma metodologia ativa de caráter reflexivo, prático e empírico, que encontra nas imagens e sons seu modo de interação com o mundo, de produção do conhecimento e da criação de experiências de ensino-aprendizagem no Brasil de hoje.

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1 Os Cadernos do Inventar podem ser baixados através deste link.

2 Para uma leitura teórica aprofundada da criação do Inventar com a Diferença e seu desenvolvimento metodológico, recomendamos a leitura do livro Inevitavelmente Cinema, escrito por Cezar Migliorin.

3 O CINEAD/LECAV – Laboratório de Educação, Cinema e Audiovisual da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro -, coordenado pela professora Adriana Fresquet, desenvolve atividades de pesquisa, ensino e extensão vinculando políticas e pedagogias do cinema e da educação em parceria com a escola pública, a cinemateca e o hospital. As pesquisas se articulam com as atividades de extensão e ensino que resultam em ações colaborativas entre a Universidade e escolas públicas de Educação Básica municipais, estaduais e federais, a Cinemateca do MAM Museu de Arte Moderna, o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira e o Hospital Universitario da UFRJ.

4 Clique aqui para baixar o livro e obter mais informações sobre o projeto Cartografia de Imagens: filme-carta, experimentação e formação, realizado pela Semente e contemplado no programa Rumos Itaú Cultural.

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Educação Audiovisual e a BNCC

Educação Audiovisual e a BNCC

As imagens e sons fazem parte do nosso cotidiano e, desde o início da pandemia, é notável como sua presença foi intensificada na mediação de tantos processos sociais – profissionais, pedagógicos, culturais, políticos, artísticos, sanitários, dentre outros. A popularização da tecnologia digital gerou um contexto no qual estamos totalmente imersos na cultura audiovisual. Nunca assistimos a tantas imagens e ouvimos tantos sons por meio de dispositivos tecnológicos e suportes variados. Paradoxalmente, por mais que estejamos habituados às tantas interações digitais, a Educação Audiovisual ainda é um tema, e um termo, pouco abordado pela comunidade escolar. Se, por um lado, o audiovisual está presente na vida escolar desde, pelo menos, o começo do século XX; por outro, muitas professoras e professores da Educação Básica ainda desconhecem as múltiplas possibilidades que essa linguagem e tecnologia oferece para a construção de metodologias de ensino-aprendizagem em seus processos de formação, em estreito diálogo com a própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Vejamos como. 

Como entendemos a Educação Audiovisual

O conceito Educação Audiovisual vem sendo desenvolvido em diversos grupos de pesquisa, projetos e educadoras de diferentes lugares do mundo, de modo que não há uma interpretação unívoca a seu respeito, mas sim uma diversidade de abordagens teórico-metodológicas que problematizam o potencial pedagógico do audiovisual na educação e propõe articulações com as práticas em sala de aula.

Com a ampliação do acesso a celulares e câmeras portáteis, a dinâmica de produção de imagens e sons deixou de ser uma exclusividade de setores como a comunicação ou o campo cinematográfico, e passou a mobilizar e mediar processos de sociabilização nos diversos setores da sociedade. Na educação, o audiovisual pode ser pensado enquanto um instrumento de mediação de aprendizagens com a mesma seriedade e complexidade que o livro, o lápis e a borracha, embora tenha a sua singularidade, assim como potenciais e limitações.

Para nós, a educação audiovisual, antes de ser uma inovação das práticas de ensino-aprendizagem, é uma possibilidade de promover encontros. Encontros dos estudantes consigo mesmos, com o outro e com o mundo; encontros com a comunidade escolar, o território e a natureza; encontros com os seus próprios saberes e os saberes que estão no mundo. 

Através de uma metodologia que incorpora a linguagem audiovisual na cultura escolar e nas práticas de ensino-aprendizagem, propomos uma concepção de educação baseada na afetividade, no comprometimento com o mundo e com o desenvolvimento integral do ser humano. Como podemos contribuir nessa direção? Através do desenvolvimento e contextualização de metodologias ativas que articulem os dispositivos de produção de imagens e sons com os diferentes recursos pedagógicos já utilizados pelas professoras, com o objetivo de potencializar suas práticas e qualificar as experiências de aprendizagem na escola.

   

Diálogo com a BNCC 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o principal instrumento normativo para a orientação do conjunto de aprendizagens fundamentais que devem ser desenvolvidas ao longo de todas as etapas e modalidades da Educação Básica no Brasil. Nela, estão dispostas as competências e habilidades que devem ser contempladas ao longo do processo de escolarização e que norteiam tanto a formulação de currículos, quanto os projetos político-pedagógicos de escolas, sistemas e redes de ensino em todas as regiões brasileiras. De acordo com o site da BNCC, “a Base especifica onde o aluno deve chegar (o que se espera que o aluno aprenda), e não como o professor deve ensinar”. Nesse sentido, há um entendimento de que os modos de contextualização, assim como as práticas e estratégias de mediação de aprendizagem, são de competência das professoras e professores, principais agentes no processo formativo das crianças e adolescentes.   

Ao observarmos as dez Competências Gerais para a Educação Básica apresentadas pela BNCC, é possível perceber uma enorme potência na relação que as práticas educativas audiovisuais estabelecem com o conjunto de competências e habilidades que devem ser desenvolvidas na escola. Muito embora a palavra audiovisual apareça citada de forma apenas episódica no documento, como uma das competências específicas da área de Linguagens, notamos sua importância como linguagem, arte , técnica, tecnologia e metodologia, seja como um campo do conhecimento específico, seja como um componente transversal ao currículo que favorece a mediação de aprendizagens diversas. Sendo assim, é possível construir e fortalecer uma cultura audiovisual na escola integrada às demais atividades e recursos didáticos, de forma estrutural, em consonância com os direitos das crianças e adolescentes no que concerne à educação pública e de qualidade.

Educação Audiovisual: específica e transversal 

Para que a Educação Audiovisual possa ser integrada à escola e às redes de ensino, é possível conceber duas abordagens distintas e autônomas, mas que também podem se complementar. 

A primeira abordagem se dá justamente ao considerar a Educação Audiovisual como um campo específico do conhecimento, articulado aos Campos de experiências da Educação Infantil, ao campo das Linguagens, no Ensino Fundamental; e às Linguagens e suas tecnologias, no Ensino Médio. Aqui, o audiovisual pode ser tratado em sua especificidade, como um saber específico, enquanto linguagem, tecnologia, história e ferramenta de comunicação, em interface com as diversas formas de interação sociais, de correntes pedagógicas, e variadas possibilidades de criação artística e de experimentação sensível. Como campo específico, o audiovisual é um instrumento poderoso nos processos de desenvolvimento da criatividade, de alfabetização midiática ou mesmo como recurso para uma abordagem crítica das TIDCs (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação).  

Numa abordagem transversal, parte-se das Competências Gerais da BNCC para todo o processo de escolarização – da Educação Infantil ao Ensino Médio – compreendendo o modo como a Educação Audiovisual não apenas atende integralmente a cada uma das competências, mas amplifica e potencializa os processos de ensino-aprendizagem atuando fortemente para propostos no planejamento das aulas, como a construção de conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e a formação de atitudes e valores. Nessa perspectiva, compreende-se que uma ênfase na Educação Audiovisual na formação de professoras e professores permitirá que a técnica e a linguagem audiovisual possam ser integradas às estratégias de mediação e atividades das mais variadas, de forma inter e transdisciplinar. Transversalmente, o audiovisual pode atuar no aprimoramento das metodologias e práticas pedagógicas ao relacionar os mais variados campos de experiência e conhecimento e promover experiências de aprendizagem mais significativas. 

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Sete propostas para uma Educação Audiovisual no Brasil 

  1. articulada ao território e engajada ética, política e esteticamente, construindo pontes entre a comunidade escolar e seu entorno;
  2. mobilizadora de recursos tecnológicos e digitais, com igual atenção às condições e limitações materiais oferecidas pelos contextos e realidades de cada unidade de ensino;
  3. inter e transdisciplinar, transitando entre as mais diversas áreas do conhecimento, integralizando todo o currículo e não apenas restrita aos campos das Linguagens, Artes e suas tecnologias;
  4. atenta às exigências curriculares e aos instrumentos normativos do MEC, como a BNCC, portanto orientada para um trabalho segundo as competências e habilidades de cada campo do conhecimento e segmento da Educação Básica;
  5. focada no cuidado de si e do mundo, com ênfase nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), a educação socioemocional;
  6. comprometida com o amplo desenvolvimento da autonomia das educadoras e educadores, amparando suas experiências e construindo um ambiente interativo e colaborativo.
  7. comprometida com o desenvolvimento integral dos estudantes, contribuindo para a contextualização das suas aprendizagem e estimulando processos que os posicionem como protagonistas e criadores do mundo que estão inseridos.

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Como a Educação Audiovisual contribui para lidar com os problemas pedagógicos na pandemia

Como a Educação Audiovisual contribui para lidar com os problemas pedagógicos na pandemia

Poucos meses após o início da pandemia, em março de 2020, a Semente promoveu uma Campanha de co-criação de soluções pedagógicas na pandemia na pandemia, com o objetivo de construir um diálogo com as educadoras e educadores que enfrentavam inúmeras dificuldades para adaptação de suas práticas. Essa campanha foi o resultado de um processo de investigação para compreendermos a melhor maneira de contribuir com as escolas no contexto urgente da pandemia. Contexto que chegou sem pedir licença e que nos deixou atordoados com o primeiro impacto de uma onda que parece ainda longe do fim. Com o passar do tempo, compreendemos alguns modos pelos quais poderíamos ajudar concretamente os profissionais da educação nesse momento e, assim, decidimos compartilhá-los.

A partir da centralidade do audiovisual na promoção das aulas remotas e híbridas, identificamos alguns problemas que apareceram com recorrência nos relatos docentes dos primeiros meses da quarentena:

(1) a dificuldade de acesso aos equipamentos por parte de professoras e estudantes;

(2) a dificuldade técnica para lidar com as tecnologias digitais, em especial os processos de produção e manipulação de imagens e sons;

(3) a dificuldade quanto às possibilidades pedagógicas da linguagem audiovisual;

(4) a dificuldade de engajar os estudantes nos novos formatos e dinâmicas das aulas remotas.

O desafio pedagógico da incorporação da linguagem e da tecnologia audiovisual no formato do ensino híbrido se deu (e ainda dá) em muitos níveis, e demanda diferentes medidas para a sua resolução. Diante desses problemas, e conscientes dos limites impostos pelo contexto histórico e social do país, nos propusemos a formatar algumas bases teóricas e práticas que visam a construção de alternativas metodológicas, em parceria com cada instituição educativa com as quais nos relacionamos.

Nos tópicos abaixo vamos explicitar um pouco mais o modo como temos entendido a Educação Audiovisual e como ela pode contribuir para resolver ou minimizar os problemas descritos acima.

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1. A dificuldade de acesso aos equipamentos por parte de professoras e estudantes

Talvez esse seja o problema estrutural mais grave que abateu todo o sistema da Educação brasileira. Problema que tem raízes profundas na história de desigualdades, distribuição desigual da riqueza, racismo e das injustiças sociais que ainda estruturam e moldam nosso país e que ficou bastante evidente nas diferentes dificuldades enfrentadas por crianças, adolescentes e suas famílias para manter uma rotina de estudos de qualidade e se desenvolver adequadamente.

Durante a pandemia, muitos dos estudantes mais pobres foram apartados das possibilidades educativas engendradas com a apropriação das ferramentas digitais na educação, por terem menos acesso aos recursos tecnológicos. Uma pesquisa lançada pela Unicef no início deste ano explicitou que cerca de 5,5 milhões de crianças e adolescentes matriculados não desenvolveram nenhuma atividade em outubro de 2020. Do outro lado desse contexto, muitas professoras e professores tiveram que fazer investimentos pessoais para garantir condições infraestruturais mínimas para promover a mediação de aulas remotas e híbridas.

Em alguns estados, os governos têm investido na ampliação de recursos tecnológicos nas escolas e a tendência é que, gradualmente, o acesso às tecnologias digitais seja popularizado na rede pública, em resposta ao trauma da pandemia na educação brasileira. Entretanto, os danos causados às crianças e adolescentes serão mensurados somente nos próximos anos e exigirão ações inclusivas e afirmativas para serem minimizados.

Nesse sentido, como a Educação Audiovisual pode ajudar a minimizar o impacto desse problema no momento atual? Oferecendo uma metodologia que incorpore o possível, o que está acessível aqui e agora e faça daquilo que está disponível as bases de uma experiência de ensino-aprendizagem relevante para estudantes e professores.

Não é preciso câmeras profissionais, celulares da última geração, ilhas de edição caras, internet de alta qualidade. Claro que, quanto melhor for a infraestrutura tecnológica nas duas pontas do processo educativo, mais possibilidades de mediação podem ser concretizadas remotamente. Porém em um momento de calamidade como esse, podemos desenvolver estratégias que foquem naquilo que é prioritário para as professoras na relação com a sua turma. O fortalecimento dos vínculos afetivos, ao constituir um lugar de interação entre os estudantes; o estímulo à participação nas aulas, de modo que os estudantes possam dar materialidade à sua experiência na pandemia, por meio de produções textuais e audiovisuais, e com isso sentir no ambiente das aulas remotas um espaço de acolhimento e escuta; o envolvimento, mesmo de modo assíncrono, daqueles estudantes que só podem acessar a internet esporadicamente e sua integração em projetos de estudos com o compartilhamento dos resultados da aprendizagem em murais colaborativos (como o padlet ou o Google Sala de Aula) ou até mesmo grupos de mensagens instantâneas, (como o WhatsApp e o Telegram), por exemplo, minimizando assim o risco da altíssima evasão escolar.

Em nossa perspectiva da Educação Audiovisual, partimos de uma análise do contexto da instituição educativa, suas condições estruturais, a realidade socioeconômica da comunidade em que está inserida, bem como sua proposta político-pedagógica e, a partir desse diagnóstico, convidamos os profissionais da escola contextualizá-la e/ou desenvolver uma abordagem metodológica que seja relevante para as práticas da escola. Trata-se de um trabalho pedagógico cuidadoso que visa qualificar a experiência de aprendizagem dos estudantes e fortalecer a sua relação com o ambiente escolar, reconhecendo a singularidade de cada instituição de ensino.

Com isso, as professoras se sentem mais seguras e confiantes ao perceber que conseguindo acessar e contribuir com a aprendizagem dos seus estudantes. Estes, por sua vez, se sentem mais integrados com a escola, com seus amigos, e estimulados em participar das experiências das aulas remotas e híbridas.

2. A dificuldade técnica de muitas professoras para lidar com as tecnologias digitais e os processos de produção e manipulação de imagens

Por enquanto, não existe na maioria dos cursos de licenciatura do país alguma disciplina orientada para a produção e edição de imagens e sons, bem como o uso de ferramentas digitais. Embora a chamada “convergência digital” venha se intensificando na sociedade há alguns anos, foi na pandemia que essa realidade bateu na porta das professoras. Agora, além de tudo, os profissionais da Educação também precisam se virar e aprender a produzir vídeo-aulas, integrar ferramentas digitais em suas estratégias de aprendizagem e mediar práticas que incorporem um novo desafio: a produção e gestão de dados e arquivos digitais em diversos formatos pelos seus estudantes.

Além da resistência natural de quem não se preparou para essa realidade, e não visualiza como incorporar esse tipo de formação em meio às inúmeras tarefas profissionais e exigências familiares do cotidiano, a experiência concreta negativa, tal como vêm ocorrendo em muitos casos ao longo da pandemia, parece corroborar com o sentimento de frustração e impotência, levando muitas professoras a aceitar a solução mais óbvia de transferir para o ambiente das telas o formato da aula expositiva, nas quais as professoras falam e os estudantes apenas ouvem. Porém, essa não parece ser uma solução estimulante para nenhuma das pontas do processo educativo.

Para ajudar a lidar com esse problema, te convidamos a inverter o binóculo. Ao invés de considerar as dificuldades técnicas um obstáculo para a inovação ou adaptação das suas práticas no contexto remoto ou híbrido, que tal partir do seus propósitos pedagógicos – as experiências ou os resultados de aprendizagem que almeja – e, tendo eles como centralidade, começar a imaginar maneiras simples de introduzir os recursos audiovisuais, aos poucos, dentro do campo de possibilidades que demandam habilidades já adquiridas, ou aquelas cujo desenvolvimento está ao seu alcance imediato?

Por exemplo, em uma aula de Biologia, os estudantes podem fotografar as plantas e outros seres vivos do seu quintal, ou do entorno da sua casa, e compartilhar a foto no grupo do WhatsApp, ou em um mural do padlet. A partir daí, é possível conversar sobre uma série de questões ligadas à zoologia, botânica, matemática, português, etc. Uma prática como essa, para nós, tem o nome de dispositivo de criação audiovisual e envolve recursos acessíveis para a maioria. A Pedagogia do Dispositivo mobiliza a linguagem audiovisual por meio de pequenos exercícios e propostas a partir de experiências estimulantes com o uso de smartphones ou câmeras portáteis. São jogos, desafios com o audiovisual, simples e acessíveis para professores e estudantes. Além disso, os dispositivos também podem ser realizados de forma offline incluindo aquelas e aqueles que não possuem acesso à banda larga ou mesmo pacotes de dados.

Dessa forma, a Educação Audiovisual pode colaborar para uma melhor apropriação metodológica do potencial pedagógico da linguagem audiovisual, uma vez que articula tanto a necessidade de manejar os equipamentos, e assim superar limitações técnicas, quanto a possibilidade de dar a eles novos usos para a construção coletiva do conhecimento e de experiências de aprendizagem.

Na Semente, nós vivenciamos experiências juntos e em seguida conduzimos as professoras a construir seus planos de aula com a incorporação de metodologias ativas com o audiovisual, como os dispositivos. Com isso, novos recursos didáticos são incorporadas ao repertórios dos professores no momento do planejamento, e outras articulações se tornam possíveis na elaboração de estratégias de mediação de aprendizagens.

3. A dificuldade quanto às possibilidades pedagógicas da linguagem audiovisual

Nas nossas experiências em escolas e cursos de formação de professores, desde 2014, observamos que, majoritariamente, o audiovisual aparece nos planejamentos de aula das professoras de forma secundária, ilustrativa do livro didático, como se fosse mobilizado em aula para corroborar alguma informação já apresentada num texto impresso. Geralmente, o uso de imagens e sons segue a dinâmica tradicional da transmissão do conhecimento. No entanto, é curioso pensar que essa perspectiva existe há muito tempo no país e muitas abordagens sugerem sua superação.

É claro que existem muitas exceções, mas é possível afirmar que, de modo geral, a linguagem audiovisual ainda não ocupou o lugar que pode e deve ocupar no campo da Educação, por se tratar de mais uma linguagem disponível na sociedade (e uma das mais importantes hoje em dia) que instaura processos de subjetivação e sociabilização de crianças, jovens e adultos.

Por se tratar de uma linguagem historicamente associada a uma tecnologia cara e ao entretenimento, ou para fins educativos ilustrativos, as possibilidades pedagógicas da produção audiovisual só passaram a ser realmente acolhidas pelos profissionais da Educação nas últimas décadas, a partir da popularização dos aparatos digitais. É muito pouco tempo quando consideramos um histórico de formação de professores voltado para uma educação tradicional e tecnicista, com poucos e bons respiros e inovações apresentadas pelo movimento da educação nova e da educação popular.

O fato é que, salvo mudanças drásticas e inimagináveis no curto prazo em nossa sociedade, as imagens estão aí, os sons estão aí, as redes sociais estão aí e a dinâmica de comunicação social se baseia na articulação desses elementos para colocar em jogo os saberes, narrativas e perspectivas da realidade, influenciando diretamente na possibilidade de experiências coletivas de mundo que vivemos cotidianamente. Esse é, portanto, definitivamente, um problema de educadores e educadoras.

Aqui, de novo, apresentamos uma abordagem acolhedora, que demonstra para os profissionais da Educação que não é preciso fazer uma nova graduação para se atualizar a respeito dos novos recursos tecnológicos e suas possibilidades pedagógicas. Percebe que quase todas e todos nós já estamos familiarizados com as dinâmicas de produção e visionamento de conteúdos audiovisuais? A questão aqui é o que mobiliza essa experiência, quais gestos estão articulando essas práticas. São experiências de entretenimento ou de mediação de aprendizagens? São gestos de registro observacional ou de vinculação ativa na realidade? São gestos de pesquisa de um saber ou de resolução de um problema? São gestos de criação de narrativas ou de construção de conhecimentos?

Por meio da Educação Audiovisual, nós construímos um trabalho de sensibilização para esse repertório já existente em todas e todos nós, e abrimos um espaço de escuta, conversa e construção de saberes pedagógicos, colaborativamente, em que, a partir da prática de dispositivos audiovisuais, as professoras refletem sobre possíveis articulações com suas experiências concretas, problematizações pertinentes ao cotidiano em sala aula, e, assim, nasce o processo de contextualização metodológica – ou mesmo o de desenvolvimento de novas metodologias.

Com isso, as professoras passam a levar em consideração outros gestos e experiências possíveis com a linguagem audiovisual, no chão da escola. A produção de uma imagem ou de um som passa a ser uma experiência viva, ativa, de se vincular no mundo, e, portanto, de promover práticas educativas.

4. A dificuldade de engajar os estudantes nos novos formatos e dinâmicas das aulas remotas

Em uma conversa com uma estudante do ensino fundamental em meio a pandemia, foi assim que ela descreveu a experiência das aulas remotas: “Parece que estou em uma prisão no zoológico. Isso aqui é o zoomlógico“. São várias as reações similares que verificamos ao longo da pandemia, e certamente essa frustração se estende às educadoras que não conseguem promover práticas estimulantes com os estudantes nesse contexto.

Nas práticas educativas com os estudantes, em 2020, constatamos que mesmo em meio aos impactos emocionais da pandemia, com as dificuldades dentro de casa, as dificuldades de aprendizagem e os problemas estruturais de acesso às tecnologias, a maioria dos estudantes se esforça e quer estar presente, quer participar e constituir para si uma experiência de escola, não concorda?

Com excessão de problemas muito graves dentro de casa, ou de nenhum acesso aos recursos tecnológicos, problemas esses que fogem ao nosso escopo de atuação e demandam um outro tipo de suporte, acreditamos que o engajamento dos estudantes nas experiências de aprendizagem remotas e híbridas está diretamente ligado ao quão relevante e significativa aquela experiência é para eles, aqui e agora. Assim como nós, as crianças e adolescentes estão tentando dar um sentido para essa experiência difícil da nossa história, e sabemos que os processos educativos se tornam mais relevantes na medida que reconhece o repertório prévio dos estudantes, os valoriza e promove aprendizagens a partir da interação entre os seres mediados pelo mundo, como nos lembra o professor Paulo Freire. A “mediação do mundo” nesse caso diz respeito aos processos sociais, culturais e naturais nas suas diversas matizes e modos de expressão. Já a “interação entre os seres” está dificultada pelo isolamento social.

Talvez esse seja o problema que temos a maior satisfação de contribuir para resolver, ou minimizar, através da Educação Audiovisual. Temos relatos concretos de professoras com a partilha dos efeitos da nossa metodologia no fortalecimento dos vínculos afetivos e no despertar da motivação durante os cursos de formação. Veja esses depoimentos aqui.

Um dos exemplos é a realização de sessões de cineclube dentro da sala de aula online. Uma professora de uma escola de Ensino Fundamental I desenvolve com seus estudantes a prática de ver filmes juntos. A escola está inserida dentro de uma comunidade quilombola e o recorte dos filmes exibidos trata de questões étnico-raciais. Em uma ação simples, a professora conseguiu estabelecer uma relação direta com o território em que as crianças vivem e tornou a aula mais interativa, pois todos os estudantes desejaram pensar e refletir sobre os filmes e, consequentemente, sobre eles mesmos e a realidade ao redor. Ao invés de propor aulas expositivas, na qual só ela falaria ou leria um livro e os estudantes acompanhariam de casa, a professora optou por uma relação de troca e pela produção colaborativa do conhecimento. Isso resulta numa relação mais autônoma dos estudantes que se sentem capazes de falar sobre o que conhecem e vivenciam dentro da sala de aula. Além disso, eles ainda produzem conteúdos, a partir dos filmes, como vídeos de um minuto de duração sobre algum tema que surgiu pela visionamento coletivo dos filmes da sessão cineclubista.  

Na Semente, nós apresentamos estratégias concretas que fortalecem a comunicação entre professores e estudantes e favorecem a consolidação de comunidades de aprendizagem. Como dissemos acima, os dispositivos articulam a tecnologia e a linguagem na mobilização de experiências no mundo, estimulando que estudantes e professores acessem o seu próprio imaginário e sentimentos, interajam com os seres vivos e não-vivos, vivenciem uma experiência de vinculação com o espaço da sua casa, do seu bairro ou do seu território, reflitam criticamente sobre algum objeto do conhecimento, em suma, estimulam a participação do ser no mundo e na cultura. O efeito disso na prática da sala de aula é o fortalecimento dos canais de comunicação entre todos os integrantes da turma e a consolidação de uma verdadeira comunidade de aprendizagem, que pode se expandir em rede com a devida orientação pedagógica, e promover trocas em outros grupos da escola, ou até mesmo com outras escolas ou iniciativas educativas do mundo através das conexões virtuais.

Com isso, ao invés de ser experenciada como uma prisão, a vivência das aulas remotas e híbridas apresentam para os estudantes um leque de possibilidades de novas experiências que, de um lado, ampliam a sua sensibilidade e o estado de presença para lidar com a sua realidade concreta, seus vínculos e afetos; e de outro, engaja o estudante em uma dinâmica de produção colaborativa do conhecimento e de compartilhamento dos seus saberes nas redes da inteligência coletiva.

***

Esperamos que esse conteúdo tenha te inspirado e ampliado suas reflexões a respeito da educação audiovisual e do ensino remoto e híbrido. Se te ajudou, pode ajudar mais pessoas também! Nos ajude a expandir esse debate compartilhando esse texto para quem precisa fazer germinar outras possibilidades pedagógicas!

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Por que criamos uma caixa para inspirar professoras?

Por que criamos uma caixa para inspirar professoras?

Em julho de 2020 o Semente lançou a Caixa de Inspiração, um app gratuito feito para apoiar as pesquisas e o planejamento de professores e professoras da educação básica (mas não apenas!) no âmbito da apropriação do audiovisual em sala de aula.

Todos nós do setor da educação sentimos o forte impacto da pandemia na nossa vida profissional, e para as profissionais da educação básica, esse impacto foi muito difícil. A necessária adaptação forçada ao formato do ensino híbrido, a pressão dos gestores escolares e das famílias, as dificuldades técnicas e a falta de engajamento dos estudantes, dentre outros fatores, configuraram uma realidade de muita tensão e ansiedade, mas também de desenvolvimento de novas habilidades pedagógicas.

Destacada como uma das opções mais viáveis para lidar com a ensino remoto, a linguagem audiovisual ganhou centralidade na promoção de experiências de aprendizagens dos estudantes no período da quarenta, e posteriormente no movimento gradual de abertura das escolas para o formato do ensino híbrido.

As professoras fizeram o máximo que puderam nesse período, e merecem todo o nosso respeito. Acompanhamos relatos de boas soluções encontradas, em que os vínculos com os estudantes foram preservados e refletiram em boas experiências de aprendizagem. No entanto, infelizmente muitas professoras relataram que as dificuldades técnicas e a falta de repertório para lidar com a linguagem audiovisual com criatividade e segurança resultaram na promoção de experiências de aprendizagem muitas vezes de baixa qualidade e cansativas para os estudantes, impactando a confiança das famílias nas escolas.

Para saber mais sobre o impacto da pandemia nos professores, veja a pesquisa da Nova Escola sobre o tema.

Foi nesse contexto que estabelecemos um diálogo com 200 professoras da nossa rede em uma campanha de co-criação de soluções pedagógicas para os problemas atuais da educação. Muitas delas relataram que investiam muito tempo pesquisando – na internet, com familiares e colegas – os textos, vídeos, cursos, tutoriais e materiais didáticos para incorporar o audiovisual em suas práticas. Além de cansativo, os resultados obtidos após horas de pesquisa nem sempre são confiáveis e relevantes para um profissional da educação, uma vez que foram produzidos para atender às demandas de outros setores.

Assim nasceu a Caixa de Inspiração, com o objetivo de centralizar o acesso aos conteúdos gratuitos que estão circulando nas redes e podem ajudar concretamente os profissionais da educação! Como nós trabalhamos na área da educação audiovisual há muitos anos, temos um vasto repertório já sistematizado, e sabemos onde procurar e como validar os novos conteúdos que são lançados.

A Caixa de Inspiração virou uma matéria no Portal Luntetas! Clique aqui para acessar.

Nossa proposta com o App foi, portanto, ajudar a diminuir o tempo de pesquisa do educador, e colocá-lo em contato com as diversas contribuições de diversos grupos da sociedade que estão engajados no apoio ao educador! Além disso, ele possibilita um acesso direto do usuário a todos os conteúdos produzidos pelo Semente, além de oportunizar o acesso aos novos cursos com prioridade!

O conteúdo da Caixa é atualizado mensalmente, e estamos abertos às contribuições de todos que se identifiquem com o propósito de inspirar uma das categorias profissionais mais importante do país!

ABRA A CAIXA E BOA VIAGEM!

Por Felipe Leal Barquete

GRUPO SEMENTE CINEMATOGRÁFICA

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Semear invenções. Mediar encontros. Conectar imaginários.

Semear invenções. Mediar encontros. Conectar imaginários.

Em 2021, a Semente Cinematográfica germinou, e virou uma Escola de Educação Audiovisual! Nesse post, vamos compartilhar com você como esse movimento aconteceu – do cinema na educação para a educação audiovisual – e o que ele revela sobre o nosso propósito de trabalhar em parceria com as comunidades escolares do país.

Semente Cinematográfica foi o nome que escolhemos em 2014 para demarcar a nossa ação no campo do cinema e da educação. A escolha de um nome não define apenas um rótulo ou uma estratégia de comunicação com o nosso público. Através desse nome, nos vinculamos a um certo modo de lidar com o ato de educar, ou melhor, com o ato de estabelecer meios para investigar, refletir, inventar, ensinar e aprender.

Naquela época, nos propomos a evidenciar e desenvolver as possibilidades pedagógicas que afloram quando a educação e o cinema se encontram, a possibilidade de educar através da criação de filmes. Em relação à concepção tradicional de educação, tal iniciativa provoca deslocamentos importantes no processo de ensino-aprendizagem, tanto no que se refere à forma como um determinado saber é acessado e assimilado, e o modo como os conhecimentos são construídos, mas também na relação de ser, saber e poder que é estabelecida entre professores e estudantes, e entre a escola e a comunidade em que está inserida.

Embora tenha raízes históricas antigas, tal forma de trabalhar com o cinema e o audiovisual na escola é um fenômeno relativamente recente, e se disseminou a partir da popularização dos meios de produção digital da imagem através de dispositivos portáteis como as handycams e smartphones. Hoje em dia a presença do audiovisual na escola é uma realidade incontornável, sobretudo após o movimento de convergência digital forçada pela pandemia. Tanto as crianças e jovens quanto os adultos se transformaram em produtores, consumidores e retransmissores de imagens e sons nas redes sociais, na vida de uma forma geral, mas também na escola, de modo específico. Esse fato, no entanto, é visto muitas vezes como um problema pedagógico – um obstáculo no processo de aprendizagem dos estudantes – em detrimento de uma oportunidade pedagógica.

Entre 2014 e 2021, promovemos 15 cursos de formação de professoras, e constatamos que na grande maioria do casos, o imaginário de educadoras e educadores em relação ao audiovisual está ligado ao entretenimento, à indústria cultural, aos processos de produção caros e complexos. É compreensível que seja assim, em razão do modo como essa linguagem foi desenvolvida e mobilizada historicamente na sociedade. Constatamos que é precisamente esse imaginário que bloqueia, ou obstrui, o entendimento das possibilidades pedagógicas do audiovisual, e consequentemente gera uma indisposição para se apropriar das tecnologias digitais em sala de aula.

 

Curso de formação de professores realizado no Projeto Cartografia de Imagens, apoiado pelo Rumos Itaú Cultural, João Pessoa/PB (2018)

 

Ao implementar os saberes, habilidades e as possibilidades de mediação de aprendizagens do campo do audiovisual no currículo e no cotidiano escolar, a escola passa a encarar o que antes era um problema como uma potência de qualificação da aprendizagem. Ao invés de controlar o uso do celular que provoca distração e indisciplina, podemos estimular o engajamento do estudante na sua realidade através deles, abrindo portas para um território de aprendizagem habitado por encontros e interações: entre o ver, o sentir e o pensar; entre os estudantes e a cidade ou a natureza; entre o saber escolar e os saberes da comunidade. Nesse lugar se aprende a cultivar uma atenção pelo mundo; se aprende a escutar si mesmo, os outros e a natureza; se aprende a articular os saberes escolares na reflexão que parte da investigação concreta da realidade social; se aprende a construir conhecimentos, elaborar visões de mundo e partilhar sensibilidades através das imagens e dos sons.

Com a mediação de práticas educativas com o audiovisual, a escola se abre para território do qual faz parte, e essa conexão potencializa o campo de interações entre professores, estudantes e as pessoas, saberes e memórias da comunidade. A internet e as ferramentas digitais interativas possibilitam pesquisar referências e estabelecer novas conexões. Com a câmera na mão, no cineclube ou na ilha de edição, o estudante tem todo o mundo à sua disposição para pesquisar, produzir imagens e discursos, relacionar saberes e construir hipóteses e assertivas sobre determinado objeto do conhecimento. Os estudantes aprendem acessando e produzindo narrativas sobre as questões os afetam, e que são importantes para a sua vida e a vida daquilo e daqueles que constituem a sua realidade, vivenciando assim um processo de aprendizagem significativa.

Em outras palavras, quando a linguagem audiovisual é mobilizada como um instrumento de mediação de aprendizagens, o estudante é posicionado como um ser ativo na construção do seu próprio conhecimento, o que faz do professor um profissional que o auxilia nessa jornada de descobertas e invenções, identificando os temas geradores que os impulsionam, propondo dispositivos de criação, mediando experiências, relacionando saberes escolares, apresentando referências e consolidando aprendizagens vinculadas à uma configuração disciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar.

 

Prática educativa realizada na Escola Experimental de Cinema da EMEIF José Albino Pimentel, no quilombo do Gurugi-Ipiranga, Conde/PB (2017)

 

Foi com essa perspectiva criativo-pedagógica que nos envolvemos diretamente com mais de 10 escolas e 400 profissionais da educação nos últimos anos, e outros tantos de forma indireta através da promoção de eventos como mostras e seminários. Nas escolas, a ênfase do nosso trabalho é o desenvolvimento de metodologias contextualizadas à proposta pedagógica e à cultura escolar das instituições, e ao se abrir e trabalhar com as escolas desse modo, reconhecemos que elas semearam em nós uma transformação importante, que nos levou a compreender mais profundamente as necessidades de cada contexto, e a ampliar o nosso próprio entendimento da dimensão pedagógica da linguagem audiovisual.

Ao longo de 7 anos, contribuímos com o desenvolvimento de metodologias ativas audiovisuais articuladas com a educação tradicional, a educação popular, a educação transformadora, a pedagogia de projetos, a educação patrimonial, a educação socioemocional e socioambiental, além da arte-educação. Nesse processo, alargamos as nossas bases teórico-metodológicas, e aprendemos a nos conectar com aquilo que move de fato as educadoras em suas práticas – o afeto, o cuidado e a atenção ao desenvolvimento integral dos educandos, independente da metodologia aplicada.

Talvez a experiência mais definidora do nosso movimento de transformação foi a pandemia, pelo fato de que, em meio ao caos, à tristeza e às desigualdades sociais que impactam a educação brasileira e nos afetaram diretamente, nós buscamos apoio e apoiamos educadoras de todo o país, em um momento em que a linguagem audiovisual ganhou centralidade no contexto da educação remota e híbrida. As professoras e professores precisaram aprender a dominar novas habilidades técnicas e a desenvolver outras perspectivas metodológicas nesse contexto, e nós precisamos “esquecer” de nós mesmos, nossas preferências individuais, para desenvolver e apresentar modos de lidar com esse problema e de potencializar efetivamente as suas práticas.

Foi assim que passamos a assumir mais diretamente o conceito de “educação audiovisual”, ampliando a nossa abordagem que nasceu com ênfase na arte-educação, a desenvolvemos uma nova matriz pedagógica, articulando a tecnologia e a linguagem audiovisual com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS).

Nesse ínterim, acolhemos novos integrantes e formamos um equipe multidisciplinar com profissionais do Nordeste e do Sudeste, e parceiros estratégicos em todo o país. Nosso objetivo é inspirar transformações educacionais e contribuir com o fortalecimento de comunidades de aprendizagem.

A Semente – Escola de Educação Audiovisual se apresenta à sociedade brasileira como um espaço de referência na área, e propõe a formação de uma rede de apoio, oportunidades de desenvolvimento profissional e compartilhamento de saberes e experiências, de modo a reunir pessoas, instituições e iniciativas que querem promover ações de impacto pedagógico, social e ambiental na sociedade, e assim criar mundos mais justos, felizes e saudáveis para as novas gerações.

Nossas portas estão abertas ao diálogo!

 

SEMENTE – ESCOLA DE EDUCAÇÃO AUDIOVISUAL

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Campanha de co-criação de soluções pedagógicas na pandemia

Campanha de co-criação de soluções pedagógicas na pandemia

Como aconteceu com a maioria das pessoas no país, a pandemia da Covid-19 provocou grandes perturbações e dúvidas. Com as escola fechadas, muitos estudantes sem acesso à tecnologia e as professoras sobrecarregadas, nos indagamos como poderíamos nos posicionar nesse contexto para contribuir e amenizar as dores e problemas educacionais nessa crise. A convergência forçada para o formato remoto, onde a linguagem audiovisual assume uma centralidade, sabíamos que tínhamos muito a contribuir, mas precisávamos saber como fazê-lo.

Nesse cenário, reconhecemos que o apoio mútuo seria o melhor caminho para seguir em frente, e assim nasceu a Campanha de co-criação de soluções pedagógicas na pandemia da Semente. Através das nossas redes e parcerias, divulgamos a campanha solicitando que os profissionais da educação descrevessem o seu contexto e  nos ajudassem a entender os principais problemas atuais. Além da pesquisa via enquete na internet, estabelecemos um vínculo mais aprofundado e contínuo com professoras, coordenadoras e escolas para acompanhar o processo de adaptação do setor da educação ao contexto da pandemia ao longo de 2020.

Veja aqui o post “Como a Educação Audiovisual contribui para lidar com os problemas pedagógicos na pandemia, onde compartilhamos os problemas identificados na campanha e os modos como a educação audiovisual pode contribuir.

Esse processo de escuta e troca de informação foi fundamental para o amadurecimento do nosso posicionamento enquanto uma Escola de Educação Audiovisual que se propõe a contribuir com a formação de professores e professoras para lidar com a linguagem e a tecnologia audiovisual em sala de aula. Em Agosto de 2020, a campanha gerou o seu primeiro fruto: lançamos o Programa de Apoio em Educação Audiovisual, a partir do entendimento das necessidades mais latentes das professoras. Durante um mês, o evento, 100% online e gratuito, promoveu rodas de conversas, workshop, lançamento de aplicativo e filmes sobre a educação audiovisual. Com isso fortalecemos e ampliamos nossa comunidade de educadores audiovisual em todo país.

Em 2021, a comunidade segue ativa e consolidamos uma nova metodologia para lidar com os desafios atuais de professoras e professores que precisam de suporte, repertório e inspiração para beneficiar os seus estudantes. A campanha continua aberta, e assim será até o fim da pandemia. Ela pode ser acessada nesse link.

Bora se ajudar, e sair dessa pandemia fortalecidos?

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Semente inicia novo ciclo de formação de professores no Estado da PB

Semente inicia novo ciclo de formação de professores no Estado da PB

O Grupo Semente Cinematográfica, com apoio do Rumos Itaú Cultural, convida todos/as os/as profissionais que participaram dos módulos básicos dos Cursos de Introdução à Pedagogia do Cinema desde 2017, bem como as organizações dos Núcleos Litoral, Brejo, Seridó e Cariri que fazem parte do projeto “Cartografia de Imagens: Filme-carta, Formação e Experimentação” para participar dos módulos (2) e (3) do Curso de Formação. Esses módulos consistem num aprofundamento dos conteúdos de cinema e educação trabalhados nos módulo básico, e serão realizados em fevereiro e março de 2019, nas cidades paraibanas contempladas pelo projeto.

O módulo (2) tem como tema “Criatórios de Cineclubes Educativos”, que tem o objetivo de compartilhar saberes, métodos e materiais para a implementação de cineclubes nas instituições educativas. O módulo (3) é a primeira etapa do curso sobre o desenvolvimento dos Ateliês de Criação Cinematográfica com os estudantes. Neste último módulo, serão compartilhadas bases e metodologias para estruturar o trabalho das Escolas Experimentais de Cinema implementadas pelo projeto.

As formações ocorrerão nas seguintes datas:

  • Zabelê – 11, 12 e 13 de fevereiro;
  • Bananeiras – 21, 22 e 23 de fevereiro;
  • Nova Palmeira – 07, 08 e 09 de março;
  • João Pessoa – 15, 16 e 17 de março.

Confira as organizações que compõem os 4 Núcleos Regionais do projeto “Cartografia de Imagens: Filme-carta, Formação e Experimentação”:

Núcleo Litoral 1. Fundação Casa de Cultura Companhia da Terra + Coletivo Garças do Sanhauá (João Pessoa); 2. EMEF Chico Xavier João Pessoa (João Pessoa) 3. EMEIEF Prof Luis Mendes Pontes (João Pessoa) 4. Castelo Audiovisual (João Pessoa); 5. Escola Estadual Francisco Campos (João Pessoa) 6. Escola Municipal de Arte – Casa das Artes (João Pessoa); 7. EMEF Prof. Gibson Maul de Andrade (Santa Rita) 8. MST – Acampamento Dom José Maria Pires (Alhandra).

Núcleo Cariri 1. Associação Cultural de Zabelê (Zabelê) 2. EMEIF Maria Bezerra da Silva (Zabelê) 3. Associação Cultural do Congo (Congo) 4. Escola Municipal Antônio Alves Feitosa (Camalaú) 5. Escola Municipal Áurea Correia de Queiroz (Gurjão) 6. IFPB – Campus Princesa Isabel (Princesa Isabel).

Núcleo Brejo 1. Escola Nossa Senhora do Carmo (Bananeiras); 2. EEEFM Ministro José Américo de Almeida (Areia); 3. EMEF Abel Barbosa da Silva (Areia); 4. IFPB – Campus Guarabira (Guarabira).

Núcleo Seridó 1. ONG Centro de Educação Popular (Nova Palmeira); 2. UEPB – Centro de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas (Patos).

Essa iniciativa faz parte de um trabalho para consolidar uma rede de apoio aos profissionais e instituições que trabalham com cinema e educação no Estado, fomentando o desenvolvimento de projetos de pesquisa e práticas educativas inovadoras nas escolas da Paraíba.

Acompanhe a divulgação dos Cursos de Formação nas nossas redes sociais:

Facebook: facebook.com/sementecinematografica/

Instagram: instagram.com/sementecinematografica

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Núcleo de Educação Transformadora da PB promove a I CONANE PB

Núcleo de Educação Transformadora da PB promove a I CONANE PB

Desde julho de 2018 o Grupo Semente Cinematográfica integra o Núcleo de Educação Transformadora da Paraíba, que articula em rede instituições educativas e culturais do setor público, privado e da sociedade civil do estado da Paraíba. A partir dos encontros deste núcleo, se gestou a ideia de realizar a 1ª Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação (CONANE-PB), que já tem data e local: 29, 30 e 31 de março de 2019, no Hotel Fazenda Paraíso dos Colibris, localizado no município do Conde/PB.

Através de um sistema de imersão, a edição regional da CONANE visa estimular a troca de experiências e saberes entre os profissionais da educação para fomentar, legitimar e consolidar novas práticas de ensino-aprendizagem nas escolas do estado e, deste modo, estabelecer pontes para os debates sobre a educação transformadora que vêm ocorrendo em âmbito nacional. O evento é produzido em parceria com a Prefeitura Municipal de Conde, através da Secretaria de Educação, Esportes e Cultura, a Secretaria de Estado da Educação da Paraíba, o Instituto Alana, o Instituto Alpargatas e a UFPB.

Dentre as presenças confirmadas, destacamos profissionais reconhecidos da área, como o professor José Pacheco (Escola da Ponte-Portugal), Helena Singer (Ashoka América Latina e Instituto de Estudos Avançados da USP), Sônia Goulart (CONANE Nacional e Projeto Gaia Escola), Raquel Franzim (Instituto Alana), Carlos Rodrigues Brandão (UNICAMP e UFU)e Abdalaziz Moura (Serta-Pernambuco).

O Núcleo de Educação Transformadora da Paraíba propõe agregar/fortalecer instituições e profissionais da educação que trabalham a partir da perspectiva da educação transformadora, que tem como princípios empatia, trabalho em equipe, protagonismo e criatividade. Em 2018 foram realizados 5 encontros do Núcleo em 4 municípios do Estado, articulando mais de 60 profissionais da educação.

Faça a inscrição para a CONANE no blog do evento.

Acompanhe as novidades do Núcleo de Educação Transformadora da Paraíba nas redes sociais.

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Filmes produzidos em escolas da PB pelo Grupo Semente se destacam pelo Brasil

Filmes produzidos em escolas da PB pelo Grupo Semente se destacam pelo Brasil

Em setembro de 2018 o filme "A Roda das Gerações do Coco" foi exibido no 29º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo - o Curta Kinoforum - e premiado com a Menção Honrosa TV Cultura para Novos Olhares. Com o prêmio, esta realização de estudantes da EMEIF José Albino Pimentel da comunidade quilombola Gurugi-Ipiranga (Conde, PB) foi exibida na emissora em 22 de dezembro de 2018.

Em 20 de março de 2019 o Grupo Semente Cinematográfica fará o lançamento nacional de um novo filme: o "Rio de Memórias", realizado por estudantes da EMEF Lina Rodrigues do Nascimento também do Conde (PB), como culminância de um processo de ensino-aprendizagem de cinema ocorrido em 2018 na escola.

A qualidade artística desses filmes produzidos em escolas demonstra como as práticas educativas com o cinema junto aos estudantes tem o potencial não apenas de mediar a aprendizagem de saberes escolares, como também o de formar sensibilidades e o repertório artístico-cultural dos estudantes. Além disso, os filmes produzidos mobilizam a comunidade ao longo do seu processo criativo, e conferem visibilidade nacional/internacional às escolas, municípios e à cultura paraibana!

Estes filmes são frutos de um trabalho educativo com arte e tecnologia implementado pelo Grupo Semente Cinematográfica em parceria com a Prefeitura Municipal de Conde, que visa introduzir a linguagem do cinema nas escolas como um dispositivo de auxílio na alfabetização, de estímulo da criatividade, da investigação do mundo e da construção ativa do conhecimento. A ideia é estimular a inovação dos métodos de ensino-aprendizagem e a produção de obras de arte que nascem no seio da cultura viva quilombola.

Para ver o filme "A Roda de Gerações do Coco" no YouTube, clique aqui

Conheça os outros filmes produzidos em escolas pelo grupo Semente Cinematográfica no nosso canal do YouTube.

Saiba mais:

"Roda de Gerações do Coco": narra o encontro das crianças do grupo Clamores Antigos com os integrantes mais velhos do Coco de Roda Novo Quilombo. O filme foi mediado pelos professores Manoel Cosmo, Felipe Leal Barquete e Ana Bárbara Ramos. Além da exibição em São Paulo, também foi exibido no Festival do Rio de 2018.

"Rio de Memórias": narra a relação da comunidade quilombola Gurugi-Ipiranga com os rios que são parte da localidade, a partir do olhar dos estudantes. O filme foi mediado pelos professores e cineastas Felipe Leal Barquete e Ana Bárbara Ramos.

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Novas sementes quilombolas em 2018

Novas sementes quilombolas em 2018

O Grupo Semente Cinematográfica iniciou 2018 cultivando a terra no mesmo território, agora em outra instituição educativa: a EMEF Lina Rodrigues do Nascimento, situada na comunidade quilombola Gurugi-Ipiranga, no Conde (PB). A convite da equipe pedagógica, o grupo desenvolve o Projeto Cinema no Lina, que consiste na implementação de uma Escola Experimental de Cinema (EEC) dentro da escola, por meio da formação de educadores, atelier de criação cinematográfica com os estudantes e práticas de cineclube. Esse trabalho foi financiado pelo programa nacional Mais Cultura nas Escolas, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Conde.

Curso de formação de professores: os profissionais da escola exercitaram o cinema através da prática de dispositivos de criação cinematográfica, seguido da exibição dos trabalhos e uma roda de conversa sobre o potencial pedagógico de tais práticas (2018)

Em março e abril começamos o plantio das sementes: realizamos um curso de formação de professores, com carga horária de 24h, para apresentar a metodologia de trabalho e dialogar sobre a noção de cinema como arte na escola, estabelecendo uma prática educativa transversal e transformadora no horizonte de uma educação em direitos humanos.

“Fazer esse curso de cinema tem sido algo extremamente importante para o desenvolvimento do meu trabalho como supervisora e de acompanhamento de professores. Tenho aprendido muita coisa relacionada não só por meio da filmagem, mas também a partir da literatura disposta para nós. A questão dessa relação entre cinema e educação foi uma descoberta, de estar fazendo esse papel muito especial de se ver e como ver o outro com autonomia. Eu quero conhecer e me envolver muito mais”, explica Fátima, supervisora da EMEF Lina Rodrigues do Nascimento.

Neste período também ocorreram sessões de cineclube e encontros semanais do atelier de criação cinematográfica com os estudantes para aprimorar o sentir através de imagens, aguçar o senso crítico, a pesquisa e a produção de narrativas com o objetivo de realizar filmes de forma colaborativa.
Os meses de maio, junho e julho seguem com acompanhamento pedagógico oferecido aos professores e o desenvolvimento do filme com os estudantes, que tem como tema as águas do quilombo. A presença do projeto na escola acelerou o processo de implementação do laboratório de informática, que acolherá as ilhas de edição para os futuros cineastas mirins. A perspectiva é de que estes se tornem multiplicadores da paixão pelo cinema na escola nos próximos anos.

Ateliers de criação cinematográfica: os estudantes da escolas aprendem cinema brincando e exercitando a linguagem audiovisual através de jogos e desafios com a câmera (2018)

Com esse trabalho, o grupo Semente Cinematográfica replica, com a devida contextualização, o modelo bem sucedido aplicado na EMEIF José Albino Pimentel entre 2016 e 2017, quando criamos 7 filmes sobre o quilombo a partir do olhar das crianças. O trabalho integrou 200 estudantes, 8 educadores, além da diretoria e coordenação da escola. Depois dessa experiência, a escola mantém as atividades de cinema e se encontra em um processo de reformulação do plano político pedagógico para incluir o cinema como instrumento de mediação de aprendizagens, investigação do olhar e desenvolvimento da criatividade.

 

ESCOLAS DE CINEMA NO QUILOMBO DO GURUGI-IPIRANGA (CONDE/PB)

Para saber mais sobre o Projeto Cinema no Lina, clique aqui.

Para saber mais informações sobre a EEC da EMEIF José Albino Pimentel, clique aqui.

 

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